31 ago2012

 

Participar do NMB é mesmo uma caixinha de surpresas e revela, além de novos talentos da música, situações imprevisíveis e inusitadas.  Na quarta (29.08) aconteceu na Lona Cultural Hermeto Pascoal, mais conhecida simplesmente como ‘Lona de Bangu’, a segunda etapa das seletivas.  O bairro é conhecido por ser um lugar (muito) quente e no ameno inverno carioca, onde as praias continuam lotadas, quem imagina   se deparar com uma noite fria? Fria não, GELADA!  Olhando em volta nem parece Rio de Janeiro. Casacos, sobretudos, botas e cachecols fazem parte da vestimenta geral.  Mais preparados, o moradores não parecem ligar para o clima nem bater queixo encolhidos dentro da própria roupa, diferente da equipe OSC.  Pois é, vivendo e se surpreendendo. Mas vamos à música.

Quatro bandas se apresentariam na noite: Pedras Pilotáveis, T-Remotto, Apandora e Tróia. Os primeiros a subir no palco foram Felipe Ramos (guitarra e vocal), Rafael Rocha (Bateria e vocal) e Jon Pires (Baixo), que constituem o Pedras Pilotáveis.  O trio levanta a plateia com uma bem tocada cover de Purple Haze de Jimi Hendrix, o que se revela uma ousadia e confiança extrema no próprio taco. Se mal executada, a canção, eternizada pelas mãos do Deus das Guitarras pode ser um tiro no pé. Mas o trio se garante. Felipe Ramos faz até uma firula e se arrisca colocando o instrumento nos ombros e tocando de costas. Gritos e aplausos se ouvem do público em êxtase!  Um grupo de louras e ruivas, mais parecidas com suecas do que com brasileiras, dança e vibra na primeira fila. Apura-se mais tarde que são as namoradas dos rapazes. Claro, como não seriam?

A troca de palco  acontece com eficiência e rapidez, ponto pra produção. A Apandora aparece em meio a fumaça e luzes, dando um clima rock n’ roll ao show. Formada por Lucas Fonseca (Bateria), Júnior Lopes (Guitarra), Gabriel Ferreira (Guitarra), Marceli Vargas (Vocal) e Felipe Saint (Baixo) é mais uma das bandas da nova geração influenciadas por Paramore e NX Zero.  Melhor ver meninas roqueiras se espelhando em  Hayley Williams (vocalista da banda americana) do que em Britney Spears. Infelizmente, a boa voz de Marceli não está em 100% de sua potência devido a uma febre alta. Os rapazes até tentam, mas a vocalista (onde a maioria das atenções sempre se foca), mal se mexe e a apresentação  é prejudicada.

Mais experientes, a Troia, terceiro grupo a subir no palco, foi formada em 2011 por cinco caras que “queriam fazer algo diferente no Rio de Janeiro”.  Se o som não é lá tão diferente assim, é perceptível que os membros já têm estrada. Todos já tocaram em outras bandas e participaram bastante da cena musical. Composta por Antony Bretas (vocal), Breno Romasanta (baixo), Hugo D’Oliveira (guitarra), Bruno Pacobahyba (guitarra) e Thiago Hideki (bateria), lançou seu primeiro EP totalmente independente – ‘Tempestade Que Vai, Calmaria Que Vem’ em abril de 2011 e entrou em turnê passando por cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. São mais velhos que os meninos do Apandora, mas o sonho ‘rock star’ parece  atravessar idades. Na padaria ao lado da Lona, onde a banda faz uma ‘boquinha’, um dos integrantes observa a vitrine de doces e em voz alta suspira: “quando a gente puder fazer exigências de camarim, vou pedir umas 20 rosquinhas” . Sonhos de superstar…

Os últimos a se apresentar são os rapazes da T-Remotto. Na estrada desde o final de 2003, o som  dos caras é bem pesado, lembrando o Planet Hemp dos tempos do “Usuário”. Não é novo, não é original, mas funciona. Lentamente a plateia se levanta e vai chegando pertinho dos rapazes. Uma rodinha se forma, o que é sempre um (bom) sinal da potência do som. As letras são vezes politizadas, vezes bem humoradas, mas contundentes. Tem Felipe Moraes (guitarra solo), “Dom” Ramon (baixo), Rogério Sylp (Voz), Fábio Spycker (guitarra base) e DJ (bateria) em sua formação e o  repertório vai de Raimundos à Rage Against The Machine, (flertando com Jason Mraz e B.O.B em versões surpreendentes) além de um trabalho autoral de qualidade.

Chega a  hora da contagem de votos, o que sempre causa emoção. A  dúvida de quem passaria para  a próxima etapa é grande. Se por um lado há o consenso de que a disputa está entre Pedras e T-Remotto, enquanto a primeira tem guitarra e baixo perfeitos, a segunda também fez uma boa apresentação com uma levada mais pop, mais facilmente digerível. O que não é demérito algum, pelo contrário, afinal, música é diversão.

Paulinho, nosso locutor, está de pé em frente ao microfone e já sabe qual delas é a vencedora.  Pedras Pilotáveis levou os votos do público, mas T-Remotto foi unanimidade entre os jurados e se classifica para a próxima fase que rola em outubro no Sérgio Porto. Gritaria geral, palmas, algumas vaias, mas definitivamente emoção. Então é isso, nos encontramos no Humaitá!

(Julia Ryff- redação OSC)

 

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