A forte chuva que caiu no Maracanã durante as duas horas do primeiro show da turnê brasileira de Madonna não foi capaz de desanimar as 70 mil pessoas que lotaram o estádio. Quem é alucinado por Madonna (e no Maracanã era o que mais havia), saiu da primeira apresentação da nova turnê da cantora, realizada ontem no Rio de Janeiro, com a sensação de que assistiu ao show de sua vida. Mas quem apenas gosta de Madonna (ou foi ao show por curiosidade) saiu do estádio se perguntando porque Madonna é capaz de causar tanta comoção.
Madonna é uma das maiores estrelas da música pop de todos os tempos. Na verdade, é a “rainha” do pop (não à toa, começa o show sentada em um trono), e nem a chuva é capaz de apagar isso. Mas o fato de ser “rainha” não significa que o seu show seja o melhor do mundo. Aliás, pode até ser o maior do mundo em termos de teatralidade e excesso. Mas, em termos musicais…
O mais impressionante em um show de Madonna é a quantidade de coisas que acontecem ao mesmo tempo. Apenas dois olhos não são suficientes para dar conta de tudo. A cantora se mexe o tempo todo, a sua trupe de dançarinos ocupa todos os pontos do palco, os telões não param de mandar informações, as luzes são alucinantes… Ufa… Bem-vindos a um show de Madonna! Tomara que o DVD consiga captar tudo o que os dois olhos não deram conta durante o show…
O espetáculo que divulga o álbum “Candy Shop” divide-se em quatro partes. Na primeira, intitulada “Pimp/Dominatrix”, com o telão jorrando imagens de doces, as primeiras batidas de “Hard Candy” já começam a soar nos alto falantes até surgir Madonna com uma lingerie preta e uma espécie de bengala, no melhor estilo Willy Wonka, da “Fantástica Fábrica de Chocolates”. Outra do novo álbum, “Beat Goes On”, dá continuidade aos trabalhos, com a cantora em um carro conversível branco, bem parecido com o do filme “Who’s That Girl?”. “Human Nature” (do álbum “Bedtime Stories”) é o momento acústico da apresentação, e Madonna aproveita para arranhar uma guitarra, com a participação especial virtual de Britney Spears. Se a chuva castigava a platéia carioca, um solícito segurança segurava um guarda-chuva para que Madonna não molhasse os seus cabelos. Assim como já vem acontecendo em suas turnês, “Vogue”, um dos principais sucessos de Madonna, animou a platéia em uma versão funkeada.
O “tic tac” de um relógio que apareceu no telão, e o remix de “Die Another Day”, canção-tema do filme de James Bond, sinalizaram o início da segunda parte do show (”Old School”, que representa o começo de sua carreira em Nova York), que começou com o a cantora vestida com um micro-short vermelho (tipo uma boxeadora), deslizando em um pau-de-sebo, e pulando corda ao som do mega-hit “Into The Groove”, em total clima “back to the 80’s”. Se a cantora cortou o clímax com a boa (mas nova e pouco conhecida) “Heartbeat”, o nocaute veio logo com o sucesso “Borderline”, em uma versão mais roqueira do que a original de seu primeiro disco, e que enlouqueceu o público.
O clímax é cortado novamente com a canção “She’s Not Me” (que contou com imagens no telão mostrando Madonna em diversas fases de sua carreira), uma das mais fracas de “Hard Candy”. A coreografia nessa canção, no entanto, é interessante, quando várias bailarinas aparecem “fantasiadas de Madonna” em diversas fases de sua carreira. Em seguida, o arrasa-quarterão “Music” levantou o público.
Mais um longo vídeo no telão é a deixa para o início da terceira parte do show, o tal bloco latino que Madonna tanto insiste - a “Girlie Show” que passou pelo Maracanã em 1993 também tinha um. Apesar de musicalmente fraco, esse bloco (intitulada “Cigana”) é o mais bem acabado, em termos de luzes e imagens. As novas “Devil Wouldn’t Recognize You” (com Madonna na passarela, bem perto do público, em cima de um piano), “Spanish Lesson” e “Miles Away” esfriaram a platéia, que logo voltou a pular com “La Isla Bonita”, apesar da versão totalmente diferente da original. A acústica “You Must Love Me” foi a deixa para os telões começarem a mostrar imagens de personalidades como Nelson Mandela, Bob Geldof, John Lennon, John Kennedy, Martin Luther King Jr., Mahatma Ghandi e, claro, Barack Obama, momento em que o público foi ao delírio.
O quarto bloco (disparado, o mais animado de todos), começou com o dueto virtual de Madonna e Justin Timberlake, no sucesso “4 Minutes”. Dois dos principais hits da cantora norte-americana, que vestia uma calça preta e uma blusa brilhante, “Like a Prayer” e “Ray Of Light”, se seguiram, e, a essa altura, mesmo quem ainda duvidava do poder de fogo de Madonna, pulou no Maracanã, que foi transformado em uma imensa rave (que, aliás, é o nome do bloco). Em seguida, apenas com a sua guitarra, e como vem acontecendo em todos os shows da turnê, Madonna atendeu a um pedido do público. Quem esteve presente ontem ao Maracanã teve sorte ao poder ouvir “Express Yourself”, sucesso do álbum “Like a Prayer”, e que não faz parte do roteiro fixo da turnê.
Uma versão super-roqueira de “Hung Up” (maior sucesso do álbum anterior de Madonna, “Confessions On a Dance Floor”) e a nova e irresistível “Give It 2 Me” encerraram a apresentação que, se não chegou a ser apoteótica musicalmente, mostrou, tecnicamente, porque Madonna está no topo do olimpo pop mundial.
Ao final da apresentação, os telões anunciaram: “Game Over”. Tomara que Madonna não demore mais 15 anos para voltar a jogar com os brasileiros. Vale muito a pena dar uma conferida tem ingressos de vários preços e posições. Abraços e beijos Kabul !!!!